domingo, 28 de julho de 2013

Emprego de por que, porque, por quê e porquê



Primeiramente quero que você entenda que o nome do porquê é escrito dessa forma mesmo: junto e com o acento. É como se fosse seu nome de batismo, assim como o til, o cedilha, a vírgula etc. O porquê funciona como um substantivo e por essa razão, vem sempre precedido de um artigo ou um pronome. Então, quando me refiro ao porquê, devo escrevê-lo dessa forma.

Por que o porquê tem formas diferentes de escrita? A resposta é: depende do contexto da frase. Escreve-se por que separadamente quando se faz uma pergunta, de forma direta ou indireta. Nesse caso ele é um advérbio interrogativo que significa o motivo, a razão ou a causa de algo. Veja os exemplos: Por que você não veste este paletó, em vez daquele? Temos, nesse caso, uma pergunta direta. Seria o mesmo que dizer: Qual o motivo (ou a razão, ou a causa) de você vestir este paletó, em vez daquele?  Agora veja a mesma pergunta feita de forma indireta: Perguntei a ele por que não vestia aquele paletó em vez do outro. Ou: Perguntei a ele o motivo (ou a razão, ou a causa) de ele vestir aquele paletó, em vez do outro. Tudo bem até aqui?
Agora vejamos uma outra situação em que se escreve o porquê separado e sem acento. É o caso do pronome relativo. Como o nome sugere, o pronome refere-se a alguma coisa e pode ser substituído por pelo qual, pelos quais, pela qual, pelas quais. Por exemplo:  A dificuldade por que passamos foi grande. Seria o mesmo que dizer: A situação pela qual passamos foi grande. Outro exemplo: Foram muitas as estradas por que viajamos. Ou: Foram muitas as estradas pelas quais viajamos.
Passemos agora às outras formas do porquê. Primeiramente vamos falar da grafia junta e sem acento. Deve-se utilizar essa forma unicamente quando quisermos unir duas orações. Nesse caso temos uma conjunção subordinativa causal ou coordenativa explicativa. Vamos por partes: é uma conjunção porque junta duas orações; é subordinativa porque subordina uma oração à outra e é causal porque expressa uma causa. Ufa!! Vamos ao exemplo: Não consegui chegar à escola no horário porque o trânsito estava totalmente parado. Ou seja, a causa de eu não ter conseguido chegar à escola foi o trânsito.
A segunda situação é a função de conjunção coordenativa explicativa. Então é uma conjunção porque liga duas orações; é coordenativa porque liga duas orações independentes e é explicativa porque explica algo. Veja: Todos estavam animados, porque as férias estavam chegando. Ou seja, a explicação para a animação de todos era a proximidade das férias. Quero lembrá-los que já falei das conjunções na postagem “O emprego da vírgula”. Vale a pena dar uma olhada.
Agora vamos tratar do porquê escrito separadamente e com acento. Simplesmente eu o utilizo no final das frases interrogativas. Exemplos: Você reclamou por quê? O evento foi interrompido por quê? Simples não é?
Finalmente, temos o porquê escrito junto e com o acento. Já adiantei, no início deste texto que esse porquê tem o valor de um substantivo. Substantivo é a palavra que dá nome aos seres, às coisas; ou seja, é o porquê propriamente dito. É muito fácil identificar essa função, pois como eu já disse, ele vem precedido de um artigo ou de um pronome. Exemplos: Gostaria de saber o porquê da sua apatia. Pense nesses porquês das crianças curiosas.
Espero que você não erre mais! Deixe seu comentário se tiver dúvidas. Terei prazer em respondê-lo.

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