Hoje vamos aprender como se
redige uma resenha. Primeiramente vamos entender o que significa o verbo resenhar. Escolhi a definição de Platão
e Fiorin (1995). De acordo com esses autores, resenhar significa fazer uma
relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos
relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem. Vários fatos ou obras
que podem ser resenhados: uma peça de teatro, um filme, um artigo científico,
um livro, uma feira de livros etc.
É importante que você saiba que
há infinitas possibilidades de descrição desses fatos ou obras e isso implica a
necessidade de se filtrar os elementos relevantes. Esse filtro está relacionado
ao objetivo que se tem ao elaborar a resenha.
A resenha pode ter o caráter
meramente descritivo ou crítico. Numa resenha descritiva não há julgamentos ou
apreciação do resenhador. Já a resenha crítica
envolve o posicionamento do resenhador, além, obviamente, da descrição
do objeto resenhado.
Ainda de acordo com Platão e
Fiorin, a resenha descritiva possui duas partes:
a) Informações sobre o texto:
- nome do autor, ou autores;
- título completo da obra (ou do
artigo);
- nome da editora e da coleção da
qual faz parte (se for o caso);
- local e data da publicação;
- número de volumes e páginas.
b) Resumo do conteúdo da obra:
- descrição sucinta do assunto
tratado e do ponto de vista do autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom
etc.);
- resumo dos pontos essenciais do
texto e seu plano geral.
Note que os elementos que
acabamos de apresentar fazem parte da resenha descritiva. Vamos lembrar que a
resenha crítica traz, além deles, comentários e julgamentos do resenhador sobre
as ideias do autor e o valor da obra.
Observe os exemplos abaixo de
resenhas críticas, retirados da Revista Veja São Paulo.
Resenha por Bruna Ribeiro
Pedro e o Lobo - Fernando Anhê
Encantadora, a fábula musical do
compositor russo Sergei Prokofiev ganha vida e (muitas) cores pelas mãos dos hábeis
manipuladores da Imago Cia. de Animação. A trama apresenta um menino que
desobedece ao avô e foge para a floresta na companhia de um pato, um gato e um
passarinho. Lá, ele encontra um lobo feroz e tem de usar a inteligência para se
safar e salvar os amigos. Estreou em 3/1/2004. Até 27/7/2014. (Disponível em
http://vejasp.abril.com.br/?gclid=CJ2A2-bk7b8CFahj7AodS2YAYA).
Resenha por Dirceu Alves Jr.
Tribos
Na comédia dramática Vermelho
(2012), Antonio Fagundes apresentou o filho Bruno, hoje com 24 anos,
oficialmente ao público. Naquela trama, um consagrado artista plástico e o
jovem assistente viviam conflitos, em um inevitável jogo de espelhos. Menos de
três meses depois do fim da turnê do espetáculo, a dupla estreia a perturbadora
e divertida comédia Tribos, escrita pela inglesa Nina Raine e dirigida por
Ulysses Cruz. Está explícito que a energia juvenil de Bruno contaminou o pai a
ponto de fazê-lo apostar em uma encenação moderna, com um elenco numeroso e sem
protagonismos, capaz de dialogar com diferentes gerações. Billy (papel de
Bruno) nasceu surdo em uma família pouco convencional em que todos podem ouvir.
Os pais politicamente incorretos (vividos por Fagundes e Eliete Cigaarini) o
criaram em um casulo e não se conformam com a dependência dos outros dois
filhos (Guilherme Magon e Maíra Dvorek). A situação se desestabiliza de vez
quando Billy se apaixona por Silvia (a atriz Arieta Corrêa), uma garota que
começa a ensurdecer depois de adulta. Com diálogos afiados e repletos de
acidez, o texto é estruturado em nove cenas que abordam a surdez metafórica nas
relações pessoais. Como sempre, Fagundes brilha ao aproveitar o histrionismo do
personagem, e Bruno mostra potencial na pele do deficiente auditivo em busca de
identidade. Sobressai também Guilherme Magon. O ator investe em uma sutil
interiorização para fortalecer o irmão deprimido de Billy. Estreou em
14/9/2013. Até 17/8/2014. (Disponível em
http://vejasp.abril.com.br/?gclid=CJ2A2-bk7b8CFahj7AodS2YAYA).
Como é possível perceber nessas
resenhas, há um juízo de valor, o posicionamento do resenhador. Em Pedro e o
Lobo, por exemplo, o resenhador inicia o texto com o adjetivo encantadora, para
se referir à peça.
No segundo texto, sobre a comédia
Tribos, o autor posiciona-se com as
seguintes palavras: Com diálogos afiados e repletos de acidez, o texto é
estruturado em nove cenas que abordam a surdez metafórica nas relações
pessoais. Como sempre, Fagundes brilha ao aproveitar o histrionismo do
personagem, e Bruno mostra potencial na pele do deficiente auditivo em busca de
identidade.
Note bem, entretanto, que os dois
textos trazem o resumo da obra antes das referidas críticas.
Vamos tratar agora da resenha
crítica de um texto acadêmico. No link http://w3.ufsm.br/cesnors/images/projetos/textos-academicos/RESENHA%20CRITICA.doc
há um exemplo muito claro dos elementos que devem estar contidos numa resenha
crítica. Minha recomendação é que você leia o texto com bastante atenção.
Também recomendo que você pratique a redação de uma resenha crítica de qualquer
texto científico. Como sempre digo, só se aprende a escrever escrevendo. Então,
mãos à obra.
Referência bibliográfica:
FIORIN, José Luiz e SAVIOLI,
Francisco Platão. Para entender o texto. São Paulo, Ática, 1995. (426 – 427)
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