domingo, 10 de agosto de 2014

Como redigir uma resenha crítica





Hoje vamos aprender como se redige uma resenha. Primeiramente vamos entender o que significa o verbo resenhar. Escolhi a definição de Platão e Fiorin (1995). De acordo com esses autores, resenhar significa fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem. Vários fatos ou obras que podem ser resenhados: uma peça de teatro, um filme, um artigo científico, um livro, uma feira de livros etc.
É importante que você saiba que há infinitas possibilidades de descrição desses fatos ou obras e isso implica a necessidade de se filtrar os elementos relevantes. Esse filtro está relacionado ao objetivo que se tem ao elaborar a resenha.
A resenha pode ter o caráter meramente descritivo ou crítico. Numa resenha descritiva não há julgamentos ou apreciação do resenhador. Já a resenha crítica  envolve o posicionamento do resenhador, além, obviamente, da descrição do objeto resenhado.
Ainda de acordo com Platão e Fiorin, a resenha descritiva possui duas partes:
a) Informações sobre o texto:
    - nome do autor, ou autores;
    - título completo da obra (ou do artigo);
    - nome da editora e da coleção da qual faz parte (se for o caso);
    - local e data da publicação;
    - número de volumes e páginas.
b) Resumo do conteúdo da obra:
    - descrição sucinta do assunto tratado e do ponto de vista do autor (perspectiva        teórica, gênero, método, tom etc.);
     - resumo dos pontos essenciais do texto e seu plano geral.

Note que os elementos que acabamos de apresentar fazem parte da resenha descritiva. Vamos lembrar que a resenha crítica traz, além deles, comentários e julgamentos do resenhador sobre as ideias do autor e o valor da obra.

Observe os exemplos abaixo de resenhas críticas, retirados da Revista Veja São Paulo.

Resenha por Bruna Ribeiro
Pedro e o Lobo - Fernando Anhê

Encantadora, a fábula musical do compositor russo Sergei Prokofiev ganha vida e (muitas) cores pelas mãos dos hábeis manipuladores da Imago Cia. de Animação. A trama apresenta um menino que desobedece ao avô e foge para a floresta na companhia de um pato, um gato e um passarinho. Lá, ele encontra um lobo feroz e tem de usar a inteligência para se safar e salvar os amigos. Estreou em 3/1/2004. Até 27/7/2014. (Disponível em http://vejasp.abril.com.br/?gclid=CJ2A2-bk7b8CFahj7AodS2YAYA).


Resenha por Dirceu Alves Jr.
Tribos

Na comédia dramática Vermelho (2012), Antonio Fagundes apresentou o filho Bruno, hoje com 24 anos, oficialmente ao público. Naquela trama, um consagrado artista plástico e o jovem assistente viviam conflitos, em um inevitável jogo de espelhos. Menos de três meses depois do fim da turnê do espetáculo, a dupla estreia a perturbadora e divertida comédia Tribos, escrita pela inglesa Nina Raine e dirigida por Ulysses Cruz. Está explícito que a energia juvenil de Bruno contaminou o pai a ponto de fazê-lo apostar em uma encenação moderna, com um elenco numeroso e sem protagonismos, capaz de dialogar com diferentes gerações. Billy (papel de Bruno) nasceu surdo em uma família pouco convencional em que todos podem ouvir. Os pais politicamente incorretos (vividos por Fagundes e Eliete Cigaarini) o criaram em um casulo e não se conformam com a dependência dos outros dois filhos (Guilherme Magon e Maíra Dvorek). A situação se desestabiliza de vez quando Billy se apaixona por Silvia (a atriz Arieta Corrêa), uma garota que começa a ensurdecer depois de adulta. Com diálogos afiados e repletos de acidez, o texto é estruturado em nove cenas que abordam a surdez metafórica nas relações pessoais. Como sempre, Fagundes brilha ao aproveitar o histrionismo do personagem, e Bruno mostra potencial na pele do deficiente auditivo em busca de identidade. Sobressai também Guilherme Magon. O ator investe em uma sutil interiorização para fortalecer o irmão deprimido de Billy. Estreou em 14/9/2013. Até 17/8/2014. (Disponível em http://vejasp.abril.com.br/?gclid=CJ2A2-bk7b8CFahj7AodS2YAYA).

Como é possível perceber nessas resenhas, há um juízo de valor, o posicionamento do resenhador. Em Pedro e o Lobo, por exemplo, o resenhador inicia o texto com o adjetivo encantadora, para se referir à peça.
No segundo texto, sobre a comédia Tribos, o autor posiciona-se  com as seguintes palavras: Com diálogos afiados e repletos de acidez, o texto é estruturado em nove cenas que abordam a surdez metafórica nas relações pessoais. Como sempre, Fagundes brilha ao aproveitar o histrionismo do personagem, e Bruno mostra potencial na pele do deficiente auditivo em busca de identidade.
Note bem, entretanto, que os dois textos trazem o resumo da obra antes das referidas críticas.
Vamos tratar agora da resenha crítica de um texto acadêmico.  No link http://w3.ufsm.br/cesnors/images/projetos/textos-academicos/RESENHA%20CRITICA.doc há um exemplo muito claro dos elementos que devem estar contidos numa resenha crítica. Minha recomendação é que você leia o texto com bastante atenção. Também recomendo que você pratique a redação de uma resenha crítica de qualquer texto científico. Como sempre digo, só se aprende a escrever escrevendo. Então, mãos à obra.

Referência bibliográfica:
FIORIN, José Luiz e SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto. São Paulo, Ática, 1995. (426 – 427)