Você sabe o que significa as expressão “regência verbal”? Falando de forma bem
simples, a regência nada mais é do que a relação entre o verbo e seus
complementos . Em outras palavras, a regência ocorre quando uma palavra precisa
de outra para completar-lhe o sentido.
Vamos entender melhor, analisando dois exemplos.
- Nós amamos crianças.
- Nós gostamos de crianças.
- Nós amamos crianças.
- Nós gostamos de crianças.
O que você pode observar, comparando os dois
exemplos? Embora os dois verbos possuam o mesmo sentido, o verbo amar rege (“exige”) um complemento sem o acompanhamento da preposição, ou
seja, trata-se de um verbo transitivo direto (sem nenhum elemento
intermediário). Quem ama, ama algo ou alguém e ponto.
Já no segundo exemplo, o verbo gostar
rege, ou “exige” um complemento acompanhado de preposição, ou seja,
trata-se de um verbo transitivo indireto (porque possui uma preposição no
complemento). Para conferir, usamos a clássica fórmula: “quem gosta, gosta de algo ou de alguém.
Outra informação importante é que os verbos
“amamos” e “gostamos”, são denominados de termos regentes, enquanto
que os respectivos complementos “crianças” e “de crianças”, denominam-se
termos regidos.
O Professor Ernani Terra, no livro Curso Prático de
Gramática, afirma que alguns verbos, em razão do uso popular em desacordo com a
normal culta, apresentam “problemas de regência”. Outras gramáticas também
trazem verbos “problemáticos” e eu farei a compilação para vocês, obviamente
preservando os direitos autorais desses autores.
Agora preste bastante atenção à regência correta dos
verbos abaixo.
Verbos utilizados
popularmente em desacordo com a norma padrão
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Chegar – exige a
preposição a e não a
preposição em
Após longa viagem, finalmente chegamos a Piracaia.
Chegamos ao local
combinado em poucos minutos.
O verbo ir segue a
mesma regência do verbo chegar.
Todos nós iremos ao mesmo
evento na próxima semana.
Elisa vai a Campinas toda
quarta-feira.
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Custar – no sentido de ser custoso, ser difícil,
pede objeto indireto com a preposição a
seguido de oração infinitiva.
Custou ao amigo aceitar o fato.
Custa a ela crer que ele tenha errado.
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Implicar – no sentido de acarretar, pede complemento sem preposição.
A atitude daquele professor implicará advertência.
E não
A atitude daquele professor implicará
Esse procedimento implicará a revolta da população.
E não
Esse procedimento implicará
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Morar – exige a preposição
em.
Moro em São Paulo há anos.
Eles moram em Jundiaí
desde o ano de 1990.
O verbo residir segue a
mesma regência do verbo morar.
Ela reside em Minas Gerais e nunca saiu de lá.
Nunca residimos em Capivari,
embora tenhamos desejado.
Nota:
Os nomes (ou substantivos) morador
e residente também pedem a
preposição em.
Pedro Paulo, morador na Rua
das Camélias.
Maria Amélia, residente na Rua 25 de Abril.
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Namorar – exige
complemento sem preposição.
Emiliano namora Clotilde.
E não
Emiliano namora
Rita namora um garoto de sua turma.
E não
Rita namora
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Obedecer – exige
complemento com a preposição a.
Os filhos deveriam obedecer aos
pais.
Nem todos os cidadãos obedecem às
leis.
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Preferir – na norma
padrão, exige um complemento sem preposição e um com a preposição a. Portanto, dois complementos.
Prefiro doces a salgados
E não
Prefiro
Os alunos preferem Educação Física a Matemática
E não
Os alunos preferem
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Ser – o verbo ser não pede
a preposição em.
Somos cinco irmãos, ou seja,
dois meninos e três meninas.
E não
Somos
Na turma éramos vinte e oito.
E não
Na turma éramos
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Simpatizar – exige a
preposição com, mas não é
pronominal.
O entrevistador simpatizou com
a candidata.
E não
O entrevistador simpatizou
Simpatizei com aquela
menina.
E não
Simpatizei
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Verbos com mais de uma regência
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1-Aspirar – no sentido de
inspirar, sorver , pede complemento sem
preposição.
Caminhar ao ar livre e
aspirar o ar fez-lhe muito bem.
Aspirava o aroma de pães assados com grande
prazer.
2-Aspirar – pretender,
almejar, ter como meta, requer complemento com a preposição a.
O time aspirava ao título do campeonato daquele ano.
Aspiro ao cargo de gerente na empresa em que trabalho.
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1-Assistir – no sentido de
presenciar, ver, exige a preposição a
mais complemento.
Acho que assisti a todos os episódios dessa série.
Você já assistiu a uma
partida de polo aquático?
2-Assistir – no sentido de
prestar assistência, ajudar, é utilizado de
preferência com complemento sem
preposição.
João, médico dedicadíssimo, assistia seus pacientes incansavelmente.
As mudanças na lei deverão assistir os trabalhadores rurais.
3-Assistir – no sentido de
caber, pertencer, exige a preposição a.
Este direito assiste aos professores.
É um direito que assiste a mim e meus familiares.
4-Assistir – no sentido de
morar, residir, exige a preposição em
(sentido bem pouco utilizado)
Todos os jogadores assistiam na
mesma cidade desde a infância.
Luís assistia em Portugal
quando se casou.
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1-Chamar – no sentido de
mandar vir, convocar, pede complemento sem
preposição.
A mãe chamou os dois filhos para uma conversa
séria.
A Diretora chamou os pais
de Isabel para a reunião.
2-Chamar – no sentido de dar
nome, cognominar, pede indiferentemente
complemento com ou sem a
preposição a e predicativo
(termo que se refere ao sujeito) com
ou sem a preposição de. Dessa
forma, admite quatro construções diferentes. Observe:
Chamei Nuno de curioso.
Chamei a Nuno de curioso.
Chamei Nuno curioso.
Chamei a Nuno curioso.
Temos, ainda, substituindo-se o substantivo pelo pronome:
Chamei-o de curioso.
Chamei-lhe de curioso.
Chamei-o curioso.
Chamei-lhe curioso.
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1-Esquecer/lembrar – quando
não são pronominais, pedem complemento sem
preposição.
Esqueci a bolsa sobre a mesa da sala.
Não lembro tudo o que já li até hoje.
2-Esquecer/lembrar – quando
são pronominais, exigem complemento com a preposição de.
Esqueci-me da bolsa
sobre a mesa da sala.
Não me lembro de
tudo o que já li até hoje.
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Informar – pede dois
complementos, um sem e outro com preposição, admitindo duas construções.
João informou o valor do título ao
bancário.
Ou
João informou ao bancário
o valor do título
Nota
Os verbos avisar, prevenir, cientificar, certificar, notificar seguem a mesma regência do
verbo informar. Isso porque quem
previne, cientifica, notifica, avisa, informa algo, o faz a alguém. Logo,
todos esses verbos requerem dois
complementos, um com preposição e outro sem.
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Pagar/perdoar – esses dois
verbos, quando têm por complemento uma palavra que denote coisa, não requer preposição. Entretanto,
quando ter por complemento uma palavra que denote pessoa, exige a preposição a.
Pagamos as contas sempre
em dia.
Não pagarei o livro até
que receba dos correios.
A mulher perdoou ao marido
pela ducentésima vez.
Embora tenha ficado muito magoada, perdoei ao meu irmão.
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1-Precisar – no sentido de
ter necessidade, exigem complemento com a preposição de.
Todos nos precisamos de compreensão
e paciência.
As crianças do educandário precisam de cuidados e muita atenção.
2-Precisar – no sentido de
indicar com precisão, com exatidão, exige complemento sem preposição.
O arqueólogo precisou o local onde estava a caverna.
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1-Proceder – no sentido de
ter fundamento, não requer
complemento.
Sua informação procede, por isso farei a retificação.
Os fatos que circulam no WhatsApp
sobre o acontecido não procedem.
2-Proceder – no sentido de
ter procedência, originar-se, vir de algum lugar, exige a preposição de.
O voo procede de Paris.
Todas as calúnias procedem da hipocrisia.
3-Proceder – no sentido de
fazer, executar, exige a preposição a.
Procederemos a um
relatório, assim que terminar a visita.
Assim que finalizarem as obras, os engenheiros procederão à vistoria.
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1-Querer - no sentido de desejar, exige
complemento sem preposição.
Quero um prazo para pensar sobre a proposta que me apresentaram.
Queremos um carro que atenda nossas necessidades.
2-Querer – no sentido de
estimar, ter afeto, exige um complemento com a preposição a.
Quero a meus amigos.
Queremos a eles como
nossos filhos.
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1-Visar – no sentido de
mirar, exige complemento sem preposição.
O atirador visou o alvo, atirou, mas errou.
O caçador visou a caça, mas desistiu de atirar.
2-Visar – no sentido de
ter em vista, exige complemento com a preposição a.
Todos nos visamos a ter
melhor qualidade de vida.
Este trabalho visa a
explorar as condições de vida das crianças refugiadas.
3-Visar – no sentido de
dar o visto, pede complemento sem
preposição.
O policial federal visou meu passaporte assim que conferiu os dados.
Visamos todos os documentos antes de enviá-los.
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